Fundos multimercado: classificação ANBIMA e o que cada um faz
Você decide diversificar além da renda fixa, entra no app da corretora, filtra por "multimercado" e aparecem 400 opções. Multimercado macro, long short direcional, multimercado livre, estratégia específica… a sopa de letrinhas paralisa. A boa notícia é que existe uma classificação ANBIMA que organiza tudo isso — e quem entende ela escolhe muito melhor. Vamos passar pelos principais tipos de fundos multimercado e o que esperar de cada um em 2026.
Por que classificação ANBIMA importa
A ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) define categorias padrão para que fundos com perfis parecidos sejam comparáveis. Sem isso, você ficaria perdido — e gestores poderiam colocar qualquer rótulo nos seus produtos.
Os fundos multimercado se dividem em três grandes blocos: alocação, estratégia e investimento no exterior. Dentro de cada bloco há subcategorias com regras específicas sobre o que o gestor pode fazer.
Os 5 tipos de multimercado que você precisa conhecer
Para a pessoa física, esses são os formatos mais relevantes:
- Macro: aposta em cenários econômicos (juros, câmbio, bolsa) — quem se beneficia do macro brasileiro
- Long & Short Direcional: compra ações esperando alta e vende a descoberto esperando queda
- Livre: o gestor faz o que quiser dentro do regulamento — versão mais ampla
- Estratégia Específica: foco em uma tese (juros, commodities, dividendos)
- Investimento no Exterior: parte relevante alocada em ativos fora do Brasil
Multimercado macro: o queridinho dos gestores brasileiros
O multimercado macro ganhou fama nos últimos anos porque o cenário brasileiro foi extraordinariamente lucrativo: ciclo de alta de juros + carrego de Selic alta + reformas + dólar volátil. Gestores que entendem o jogo macroeconômico entregaram retornos acima de 200% do CDI por anos seguidos.
Em 2026, com Selic a 14,75% e cortes lentos pela frente, o ambiente continua favorável — mas a barra subiu. Bater 150% do CDI hoje exige acertar câmbio + bolsa + juros + crédito.
Long & Short e a busca por descorrelação
O long & short monta posições de compra em ações que o gestor acha boas e venda em ações que acha ruins. O ganho vem da diferença entre as duas pontas, não da direção do mercado. Em teoria, o fundo rende mesmo no Ibovespa caindo.
Na prática, escolher fundos long & short bons é difícil: a maioria não bate o CDI em janelas de 5 anos. Olhe histórico longo, drawdown máximo (perda máxima histórica) e quem é a gestora.
Multimercado livre: liberdade com responsabilidade
O multimercado livre permite ao gestor combinar todas as estratégias acima. Vantagem: flexibilidade total. Desvantagem: você precisa confiar muito no gestor, porque não sabe exatamente o que está dentro.
Fundos livres de gestoras consagradas (com track record de 10+ anos) podem fazer parte de uma carteira moderna. Fundos livres de gestoras novatas são roleta russa.
Os números que importam ao escolher
Antes de comprar qualquer multimercado, olhe:
- Rentabilidade líquida em 24 e 36 meses (não 12 — janela muito curta)
- Drawdown máximo (perda do pico ao vale)
- Taxa de administração (0,5% a 2% é o normal)
- Taxa de performance (geralmente 20% sobre o que exceder CDI)
- Janela de resgate (D+30, D+45 — quanto maior, mais ilíquido)
- Patrimônio do fundo (acima de R$ 100 milhões dá conforto)
Cuidado: rentabilidade passada não garante futuro. Mas histórico ruim em janelas longas geralmente indica gestor ruim.
O alocador inteligente faz duas coisas
Quem usa multimercado de verdade faz duas coisas:
- Não coloca mais de 20% da carteira em multimercados (eles são complementares, não a base)
- Diversifica entre 2 ou 3 gestoras com estratégias diferentes (macro + long short, por exemplo)
Isso reduz o risco de "gestor entrega errado num mês importante" e evita concentração em uma única tese.
Como o Despezzas ajuda
Cada multimercado tem cotização diferente, prazo de resgate diferente, taxa de performance diferente — e o extrato da corretora não unifica nada. No Despezzas você cadastra cada fundo como conta de investimento, anota os aportes e resgates e usa categorias para separar a parte de renda variável da renda fixa. A projeção de fluxo de caixa considera os prazos de cotização para você não ser pego de surpresa.
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