CDB pós-fixado x prefixado em 2026: a decisão sob Selic 14,75%
Você abre o app do banco, vê três CDBs sendo oferecidos — um a 105% do CDI, outro travado a 13,90% ao ano e um terceiro indexado ao IPCA+6,5% — e fica paralisado. A dúvida é legítima: com a Selic a 14,75% ao ano depois do corte de 25bps em março, vale travar a taxa hoje ou seguir no pós-fixado? A resposta depende da sua expectativa para os próximos 24 meses e do prazo que você consegue carregar. Neste post você vai aprender a escolher entre CDB pós-fixado e prefixado sem chutar.
O que muda na prática entre pós e prefixado
No CDB pós-fixado, o rendimento acompanha o CDI (hoje em torno de 14,4% a.a.) — se a Selic sobe, você ganha mais; se cai, você ganha menos. É o investimento dos indecisos: você não acerta nem erra o ciclo. No CDB prefixado, a taxa é travada na contratação: se você compra a 13,90% por dois anos, é 13,90% até o vencimento, independente do que acontecer com a Selic.
Há ainda um terceiro tipo, o CDB indexado à inflação (IPCA+ taxa real), que garante poder de compra. Para 2026, esse formato faz sentido se você acredita que o IPCA volta a flertar com 5% e quer travar juros reais de 6,5% a 7%.
Quando o pós-fixado ganha
O pós-fixado é a escolha óbvia em três cenários:
- Você não tem certeza de quando vai precisar do dinheiro
- A Selic está em ciclo de alta ou no topo (caso atual: 14,75%)
- Você quer liquidez diária ou em prazos curtos (até 12 meses)
Em 2026, com a Selic ainda em patamar elevado e o BC sinalizando cortes lentos, um CDB pós-fixado a 102% a 110% do CDI entrega cerca de 14,7% a 15,8% nominais ao ano. Descontando IR pela tabela regressiva (15% a 22,5%), o líquido fica entre 11,4% e 13,4% — bem acima da inflação de ~4,8%.
Quando o prefixado ganha
O prefixado entra em cena quando o ciclo vira. Se você acredita que a Selic vai para 11% ou 10% até 2027, travar hoje 13,90% por três anos é uma jogada agressiva e potencialmente vencedora. O problema: se a Selic subir de novo (cenário fiscal apertando, eleição agitando), você fica preso a uma taxa abaixo do CDI.
Regra prática: prefixado só faz sentido quando você acredita em queda consistente dos juros e topa carregar até o vencimento. Resgate antecipado em prefixado pode dar prejuízo (marcação a mercado em CDB com liquidez diária ou via mercado secundário).
O caso do prefixado curto
Existe uma estratégia híbrida: comprar prefixados curtos (12 a 24 meses) quando os juros estão no topo, sabendo que a perda potencial é limitada. Em 2026, prefixados em torno de 13,50% a.a. para 18 meses são razoáveis se você consegue carregar até o final.
Como decidir em 5 perguntas
Antes de clicar em "investir", responda:
- Em quanto tempo vou precisar desse dinheiro?
- Eu acredito que a Selic cai, sobe ou estabiliza?
- O CDB é coberto pelo FGC (R$ 250 mil por CPF e por instituição)?
- A liquidez é diária, no vencimento ou intermediária?
- O líquido (depois de IR) ainda bate meu objetivo?
Se as respostas forem "1 a 3 anos", "acho que cai", "sim", "no vencimento" e "sim", o prefixado pode ser uma boa parte da carteira — não tudo. Se as respostas forem "não sei" ou "menos de 1 ano", fique no pós-fixado.
Como o Despezzas ajuda
Ter CDBs em três bancos diferentes vira uma bagunça em planilha. No Despezzas você cadastra cada aplicação como conta de investimento, acompanha vencimentos no calendário e usa a projeção de fluxo de caixa para ver quando o dinheiro volta. Se a aplicação é compartilhada com o cônjuge, o perfil de acesso mostra a renda fixa para os dois — sem precisar mandar print.
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